fazer a vontade aos filhos

Em que medida a pressão social influencia os pais a cometer excessos para satisfazer os filhos?

Influencia imenso. E hoje em dia mais do que no passado, devido às redes sociais. Mais do que quereremos ser perfeitos queremos mostrar que o somos. Pois o nosso critico interno sabe que não somos perfeitos. Ninguém é.

Muitas vezes, esse comportamento dos pais tem a ver com o seu próprio passado. Quererem proporcionar aos filhos bens materiais ou experiências que não tiveram. No que vejo no consultório é que a maior parte dos pais quer mesmo encontrar um equilíbrio e lidar com essa pressão, mas não consegue e por isso pede ajuda. A pressão é mesmo demasiada.

Tipos de Pressão

E para complicar temos vários tipos de pressão: a pressão social geral que está subentendida na sociedade ocidental (ser/ter sempre mais e melhor); temos aquela da tv e redes sociais, em que a pessoa aparece numa imagem imaculada de perfeição (muitas vezes falsa ou exagerada); a da família/amigos quem nem sempre conseguem dar apoio incondicional e ainda criam mais pressão; e a dos pares/colegas, que mostram que têm determinados bens materiais ou estilo de vida que podem causar cobiça (telemóvel de última geração, aquelas calças XPTO e férias paradisíacas).

Quais os principais problemas de ceder à pressão social?
  • Excesso de bens materiais: pode criar uma dependência de bens materiais e baixa auto-estima
  • Excesso de actividades extracurriculares: pode resultar em esgotamento físico e mental
  • Excesso de pressão académica: pode gerar ansiedade, depressão, medo de falhar, prejudicando a saúde mental a médio-longo prazo
  • Excesso de expectativas de comportamento ou aparência: pode fazer com que o jovem se sinta constantemente julgado e insuficiente
  • Excesso de comparações sociais: pode levar a sentimentos de inadequação e baixa auto-estima
O que os pais normalmente sentem

A angustia dos pais é o que fazer e como fazer. Normalmente, começamos por fazer o levantamento do que causa stress/ansiedade e elaboramos um plano de acção começando sempre pelo mais fácil de implementar.

As crianças e adolescentes precisam de regras e limites, caso contrário são mais propensos ansiedade, insegurança, baixa auto-estima e dificuldade de tomada de decisões mais tarde na vida. Os limites devem ser adequados à idade da criança/adolescente e deve obviamente crescer com eles. Ou seja, a hora de deitar deve ser fixa mas diferente se tiver 9 ou 15 anos.

Podem estar a perguntar o que a hora de deitar tem a ver com a pressão social?

Tem a ver com a colocação de limites. Tudo na vida requer aprendizagem e o hábito de haver regras, que os amigos não têm ou são diferentes, ajuda a aceitar depois outras mais difíceis, quando a pressão aperta. Não corremos antes de saber andar. E a hora de deitar até é um bom exemplo porque há poucas regras à volta disso, prejudicando a saúde mental, aprendizagem e desenvolvimento emocional. O que mais oiço é que não há grandes limites para a hora de dormir, havendo adolescentes a deitarem-se depois da 1h da manhã porque estão ao telefone com os amigos ou nas redes sociais. Se houver a regra da hora de deitar e não ter telefone no quarto isso desaparece.

O que temos de fazer é dar ferramentas para o pre-adolescente ou adolescente lidar com essa separação (do telefone, dos amigos). Ter resiliência, saber lidar com a frustração, com a diferença e com emoções mais fortes, faz parte da nossa caixa de ferramentas emocionais (ou pelo menos devia fazer). Se começarmos logo desde pequenos é obvio que é mais fácil. E dependendo da idade do adolescente podemos ter de negociar esta transição. Mas não mudarmos porque achamos que vai causar mais ansiedade é um tiro no pé. A situação vai sempre entrar em escalada e cada vez o jovem quer mais e mais coisas e em vez de melhorar a ansiedade fica pior.

Conclusão

Em conclusão, a pressão exterior nunca vai diminuir. A nossa pressão interior para ceder à pressão exterior é que tem de ser mudada. Mas conseguimos sempre mudar se implementarmos algumas estratégias. Esta mudança por vezes é difícil e se acha que não consegue sozinho peça ajuda a um profissional de saúde mental.

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