o que os pais fazem pelos filhos

Até que ponto os filhos devem estar a par do que os pais fazem por eles?

Até que ponto os filhos devem estar a par do que os pais fazem por eles? Deve ser um aspeto explicito como forma até de os educar melhor?

Depende de como essa informação é passada e da idade do jovem. A transparência sobre os esforços e sacrifícios feitos pelos pais pode ser benéfica, mas devemos ter cuidado como o fazemos. Os filhos devem estar cientes do trabalho e dedicação dos pais, para que desenvolvam gratidão, empatia e uma compreensão realista do valor das coisas. No entanto, essa consciência deve ser adequada à idade e maturidade da criança.

Quando são crianças pequenas aprendem pelo exemplo e não temos, nem devemos, estar constantemente a informar o que fazemos por elas. Até porque, muitas vezes, caímos no erro da cobrança. “Eu faço isto por ti e tu não dás valor. Não mereces o que eu faço por ti. Eu faço tudo por ti e por isso deves fazer o que eu digo, ou mando.”

Em crianças pequenas aconselha-se a dar o exemplo, agradecendo quando alguém faz alguma coisa por nós, inclusive agradecer à criança se ela faz algum favor. Podemos ensinar a gratidão através de pequenos gestos, como pedir aos filhos para agradecerem por um presente ou oportunidade recebida. Mas sem pressão nem cobrança, porque as crianças pequenas não têm a consciência social do adulto e pedir desculpa ou agradecer pode não fazer sentido. Se indicarmos o que deve ser feito sem ficarmos irritados ou dizer que a criança é mal educada, com o tempo ela vai aprender pelo exemplo. Óbvio que a mesma tolerância não deve ser dada a um pré-adolescente ou adolescente.

Explicar a uma criança mais velha que os pais trabalham para sustentar a família, pode ensinar a importância do trabalho e da responsabilidade. Dizer a um adolescente que economizaram para suas atividades extracurriculares, pode fomentar apreciação e uma atitude responsável em relação ao dinheiro. Esses diálogos podem ser usados como oportunidades educativas, incentivando os filhos a valorizarem o esforço e a desenvolverem ética de trabalho.

No entanto, expor os filhos a preocupações financeiras ou sacrifícios extremos pode ser contraproducente. Os jovens podem sentir-se culpadas ou sobrecarregadas ao saberem que os pais enfrentam dificuldades significativas por causa deles. Por exemplo, compartilhar com uma criança pequena que os pais trabalham longas horas para pagar as aulas de piano pode gerar um senso de culpa ou ansiedade desnecessária.

Um equilíbrio saudável pode ser alcançado ao partilhar informações de maneira construtiva e apropriada.

Exemplos de Comunicação Adequada:

Educação Financeira: Explicar a um adolescente que a família economiza para pagar a faculdade ou para realizar uma viagem de férias, pode ensinar sobre planejamento financeiro e prioridades. Isso ajuda o jovem a valorizar o dinheiro e a compreender a necessidade de fazer escolhas responsáveis.

Valorização do Trabalho: Contar a uma criança mais velha que os pais trabalham mais horas para proporcionar uma vida confortável, pode inculcar um senso de respeito pelo trabalho e pela dedicação. Isso pode ser feito de maneira que não cause preocupação, mas sim admiração e gratidão.

Contribuição Familiar: Envolver os filhos em decisões familiares, como planejar um orçamento ou decidir sobre uma compra importante, pode ser educativo. Por exemplo, discutir com um adolescente a necessidade de economizar para uma renovação na casa pode fazê-lo entender o valor do dinheiro e a importância de poupar.

 

Benefícios da Transparência:

Desenvolvimento de Empatia: Quando os filhos entendem os esforços dos pais, eles são mais propensos a desenvolver empatia e consideração pelos outros.

Preparação para a Vida Adulta: Saber como a vida funciona no mundo real, incluindo o esforço necessário para manter uma casa, ajuda a preparar os filhos para a independência.

Gratidão e Valorização: Crianças que sabem dos esforços dos pais tendem a valorizar mais o que têm e a ser mais gratas.

 

Riscos da Exposição Excessiva:

Ansiedade e Culpa: Crianças muito jovens ou sensíveis podem sentir-se culpadas ou ansiosas se tiverem demasiada informação sobre os sacrifícios financeiros ou pessoais dos pais.

Pressão Desnecessária: Informações sobre dificuldades financeiras ou problemas familiares podem sobrecarregar emocionalmente as crianças, causando stress, ansiedade e insegurança.

 

Em resumo, a transparência deve ser usada como uma ferramenta educativa, adaptada à capacidade de entendimento e maturidade da criança, para promover valores positivos sem sobrecarregar emocionalmente os filhos. Deve ser utilizada com sabedoria, focando na educação a longo prazo dos nossos filhos para no futuro serem de cidadãos conscientes e responsáveis.

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