A armadilha da crítica interna (e como te prende na baixa autoestima)

A Joana ouvia esta voz há anos.

Não era uma voz real, mas um pensamento recorrente, familiar. Um comentário constante em fundo, a cada passo do dia:

“Foste ridícula.”
“Nunca acertas.”
“Mais uma vez, falhaste.”
“Porque é que és assim?”

Era tão automática que já nem percebia quando começava. Estava ali sempre — na forma como hesitava antes de falar, na forma como se revia no espelho, ou quando recebia um elogio e se encolhia por dentro, como se não merecesse.


🔁 Quando a crítica já é parte de ti

A crítica interna é como uma voz invisível mas poderosa que, dia após dia, vai desgastando a autoestima.
Ao contrário do que muitas pensam, não nasce do ego — mas da dor.

Na verdade, trata-se muitas vezes de uma repetição de discursos antigos. Vozes de figuras importantes da infância, de experiências marcantes, ou até de pressões sociais internalizadas.

Começa subtil, mas instala-se. E sem darmos por isso, passamos a acreditar que somos defeituosas, insuficientes, “erradas”.


💬 Como reconhecê-la?

Alguns sinais de que a crítica interna está ativa:

  • Duvidas constantes de ti mesma, mesmo em pequenas decisões

  • Sensação de nunca seres “boa o suficiente”

  • Medo de errar ou de desiludir os outros

  • Dificuldade em aceitar elogios ou reconhecimento

  • Comparação constante com os outros

  • Sentimento de culpa ou vergonha desproporcionais

A crítica interna não é apenas um pensamento negativo. É um mecanismo de autossabotagem emocional que, quando não trabalhado, mina profundamente a tua capacidade de te valorizar e cuidar de ti.


🌱 O que mudou para a Joana

No seu processo terapêutico, a Joana começou por aprender a identificar a voz crítica. Aos poucos, percebeu que não era ela — era uma parte dela, criada para se proteger da rejeição, da dor, do abandono.

Com tempo, começou a responder a essa voz com uma nova: uma voz mais gentil, mais consciente, mais verdadeira.
Essa mudança não veio de livros ou frases motivacionais. Veio do trabalho interno. De olhar para dentro com compaixão e coragem.

Hoje, a Joana ainda ouve, de vez em quando, aquela voz. Mas já não lhe dá o mesmo poder. Aprendeu a reconhecer o que é dela — e o que aprendeu a carregar. E essa distinção, por si só, trouxe-lhe paz.


Talvez também tu reconheças essa voz.
Talvez já a ouças há demasiado tempo.
A boa notícia é que há formas de começar a libertar-te.
E tudo começa com escuta, consciência e tempo.

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